The Institute: O Instituto de Stephen King

Se tivesse que dizer algo sobre Stephen King, eu diria que nunca dá para saber o que se espera de um novo livro. Ou você vai amá-lo ou odiá-lo. Não há meio termo, acredite. E a obra da vez é, o seu último novel, lançado em 2019, The Institute, O Instituto. Sirva-se de uma xícara de café e Solta o Play, que vem coisa boa por aí.



Sugestão do redator: Leia ouvindo The Suburbs, do Arcade Fire.

 

Sobre o Livro

Tudo começa quando Luke, uma criança de 12 anos, que é super inteligente e aparentemente possui uma peculiar habilidade de mover objetos com a força da mente, é sequestrado em uma noite no subúrbio de Minneapolis. Seus sequestradores assassinam seus pais e o levam para O Instituto, localizado no meio de uma floresta no Maine. Ele acorda em um quarto muito semelhante ao seu, exceto por um detalhe: não há janelas. Fora do quarto, ele encontra outras portas, entendendo que ali não é a sua casa. Ao explorar o longo corredor, ele descobre que são quartos de crianças que foram sequestradas e que, assim como ele, possuem talentos especiais.

São Kalisha, Nicky, George e Iris quem o recebem e explicam onde ele está e como as coisas funcionam no Instituto. Trata-se de uma instituição que nos últimos 70 anos vem sequestrando crianças com habilidades de Telecinesia e Telepatia para fazer experimentos. Os testes impiedosos são feitos para explorar suas capacidades mentais. No entanto, esses experimentos acabam danificando a mente e a sanidade dessas crianças, que logo acabariam sendo eliminadas. A única informação que eles possuem é que estão servindo ao seu país e que após feitos os testes, eles poderão voltar para suas famílias.

Não demora muito para que Luke descubra a verdade por trás do Instituto, inclusive, que ele é dividido em três partes. A parte da frente ficam os recém-chegados, com direito a diversão em um parquinho e máquina de bebidas, lanches e guloseimas, mas para isso eles devem receber fichas por bom comportamento na hora dos testes. Esses testes resultam no aparecimento de luzes multicoloridas, que eles chamam de stasis, que indica o nível da habilidade. Quando essas luzes aparecem, e se aparecem, a criança está preparada para avançar nos experimentos, que acontecem na parte de trás do Instituto. No entanto, elas só são levadas quando apresentam evolução em suas capacidades. A partir de então, eles precisam ser submetidos a testes mais intensos, que acabam elevando suas capacidades de telecinesia ou telepática, mas diminuindo a sua consciência. As crianças que perdem total consciência sobre si, são descartadas e vão para a parte de trás da parte de trás, que também é conhecido como Horta. Embora, muitas morrem antes disso.

Este é o trajeto que toda criança passa no Instituto, segundo os responsáveis por ele. No entanto, ninguém esperava que Luke, com a ajuda de Avery, um menino com telepatia muito poderosa, conseguisse burlar o sistema de segurança e fugir, mudando todo o rumo da história do Instituto e daquelas crianças.

 

O que se esperar de O Instituto

Uma das principais características gerais das obras de Stephen King é o seu jeito peculiar de expor os mínimos detalhes, o que pode deixar a leitura cansativa. Isso poderia ser um ponto negativo, caso ele não ousasse de uma das suas mais grandiosas habilidades: a narrativa. O seu jeito de contar e interlaçar detalhes tornam as histórias super interessantes. Ele te dá anseio de consumir mais e mais da história.

O autor que possui a fama de lançar mais livros do que seja humanamente possível escrever, já possui a marca de histórias mais interessantes no gênero terror, independente da descrição detalhada ou da narrativa envolvente. Mesmo que isso não seja novidade, vale ressaltar que com O Instituto, o escritor reviveu uma formula antiga muito usada por ele, que já foi visto em Carrie, por exemplo. Vamos ver uma das mais relevantes, que agradam os fãs mais antigos, os novos e até mesmo os meros leitores de terror.

 

1. Ex-policial buscando por um sentido na vida e salva a todos

Tim é o nome dele. Afastado do ofício e a caminho de Nova Iorque em busca de um outro sentido na vida, ele acabou parando em DuPray, uma minúscula cidade na Carolina do Sul. De imediato você já o adora, mas ele só vai se tornar o seu personagem favorito quando, sem nem mesmo acreditar na história louca de um garoto de 12 anos, decide ajudá-lo. O laço entre um adulto e uma criança pode fazer com que essa fórmula tome proporções maiores para história, e gere aquele sentimento fraternal e de cumplicidade.

 

2. Crianças com forte laço de amizade lutando contra o mal

A amizade entre as crianças no Instituto carrega aventura, fraternidade e drama. Embora o contexto gere muitas vezes raiva, o sentimento de saber que elas de fato estão ali umas pelas outras é uma formula que dá certo apesar de ser antiga, e até certo ponto clichê estilo década de 90. Neste livro ela é presente e unida a uma narrativa envolvente, traz sentimentos novos, embora ela poderia trazer nostalgia também.

 

3. Conversa cientifica e sobrenatural

Há muitas questões científicas ao tratar de telecinesia e telepatia, no entanto, King se ateve a não tornar isso algo maior que a história em si. A questão estava lá, ela existia e foi abordada na medida que fazia sentido no todo. Para tirar o peso sobre o assunto, ou até colocar ele em um cenário mais fictício (ou não) ele transformou a união entre as habilidades de telecinesia e telepatia algo que ultrapassasse a habilidade individual e coletiva, independentemente de onde a criança estivesse. Essa conexão entre as crianças com tais habilidades transformou algo muito poderoso e destruiu o Instituto.

Tirando a parte da conexão, a destruição com o poder da mente já este na cabeça e no livro de King, se é que você se lembra de Carrie White, uma telecinética que causou destruição de toda uma cidade.

Em suma, O Instituto não é um livro para ler e guardá-lo na prateleira ou deixar arquivado no seu dispositivo móvel. Ele deve ser compartilhado com seus amigos (só não empreste seu livro, isso seria um erro). Além de tudo isso, a única expectativa que fica é uma futura adaptação, que além de você não ler esta história, é a segundo erro que se possa cometer.

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