SHAZAM! Conheça a fase que inspirou o filme da DC Comics

Em 2011, a DC Comics relançou toda a sua linha editorial fazendo um reboot, movimento esse conhecido por zerar a cronologia, onde todas as suas revistas passariam a adotar uma nova numeração. O Shazam, personagem anteriormente chamado de Capitão Marvel foi um dos personagens que ganhou uma nova versão nos Novos 52, através das mentes de Geoff Johns e Gary Frank, um dos maiores ícones do passado nos quadrinhos ganha uma nova roupagem, mas ainda homenageando os antigos quadrinhos da Fawcett Comics.

Para quem não conhece a história do personagem, Billy Batson é um garoto que devido a sua bondade interior, recebeu os poderes de um mago chamado Shazam, a fim de preservar a justiça e a paz no universo. Toda vez que ele grita SHAZAM!, ele é atingido por um raio mágico que o transforma em um super-herói adulto com poderes de origens de 6 personagens mitológicos, são eles Salomão (sabedoria), Hércules (força física), Atlas (resistência, invulnerabilidade), Zeus (poderes mágicos), Aquiles (coragem) e Mercúrio (velocidade, capacidade de voo).


HOMENAGEM E DESCONSTRUÇÃO

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Liga da Justiça (2011) – Capitulo #7

Nos quadrinhos da Fawcett Comics, Billy Batson sempre foi trabalhado como um garoto puro, inocente, com ótimo coração e sempre disposto a ajudar as pessoas. Nos Novos 52, Johns faz a primeira mudança no personagem. Billy agora é um garoto problemático. Órfão, Billy quando adotado sempre é devolvido por seu comportamento. Quando finalmente é adotado por casal disposto a dar o amor que uma criança merece, Billy já não está aberto a isso, devido ao sofrimento nas mãos de outras pessoas.

Nos filmes, imagina-se que o Billy tenha uma personalidade balanceada entre essas duas versões, sendo uma versão menos detestável, mas que ainda deve apresentar problemas de socialização com outras pessoas.

FAMÍLIA MARVEL SHAZAM!

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Liga da Justiça (2011) – Capitulo #8

Apesar da desconstrução do personagem, um elemento das histórias sobre o Shazam é mantido. A família. Nisso que o Johns e Frank acertam, a família aqui não é aquela perfeita do comercial de margarina. Mas reflete o século XXI. Billy Batson vai para uma família composta só de crianças adotivas, com representantes de cada raça. Pedro, Eugene, Mary, Freddy e Darla.

No filme, acredito que eles devem ser a alma da história, apesar de terem origens diferentes, sempre estarão lá para apoiar uns aos outros nos momentos difíceis, dando esse clima de sessão da tarde. Outro ponto é que nos quadrinhos, eles também ganharam poderes, é interessante teorizar se acontecerá no filme, quem sabe não nesse, mas numa possível continuação.

SHAZAM AINDA É UMA CRIANÇA

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Liga da Justiça (2011) – Capitulo #0

Outra mudança significativa na mitologia, Billy não “empresta” seu corpo para alguma entidade perfeita, que saiba lidar com as situações a frente. Não. Billy continua Billy, apesar de todos os seus poderes. A sabedoria de Salomão, não significa maduridade para o personagem, uma palavra magica não vai resolver os seus problemas, isso é apenas uma ferramenta para a evolução, desenvolvimento e a aprendizagem dessa criança que precisa melhorar como pessoa.

Além dessa profundo desenvolvimento que essa mudança traz, ela também funciona em outra camada, a realização dessa fantasia que uma criança tem em virar adulto e poder fazer coisas que adultos fazem, gera momentos engraçados e piadas ótimas, que pelo trailer, deve está presente no filme também.

VILÕES E AMEAÇAS

 

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Adão Negro [Liga da Justiça (2011) – Capitulo #10]

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Doutor Silvana [Liga da Justiça (2011) – Capitulo #9 | Trailer Shazam! (2019)]

No quadrinho, o principal antagonista do Shazam é o Adão Negro. Ele foi o ultimo campeão escolhido para ter o poder do raio antes do Billy. Adão era um escravo no Egito antigo, ele e seu sobrinho Aman foram escolhidos para ter os poderes do Mago Shazam.

Com os poderes em mãos, tio e sobrinho discutiram de como usar-los para ajudar seu povo, Aman queria libertar e proteger os outros escravos, mas Adão discordava. Para ele era preciso matar os escravizadores. Percebendo que o sobrinho nunca concordaria, ele mata-o e toma os poderes para si. Dando origem ao vilão.  Com essa atitude o mago aprisiona-o. Mas Adão consegue fugir no tempo presente e Billy deve enfrenta-lo.

Apesar de aparecer nessa fase, Doutor Silvana não é o vilão principal, ele é o responsável por libertar o Adão Negro. Ele faz isso com o intuito de salvar sua família que foi atingida por uma doença misteriosa, como não achou respostas na ciência, Silvana foi atrás da lenda do Adão Negro para com sua magica pudesse lhe ajudar.

Adão Negro, aparentemente, não irá aparecer no filme do Shazam, pois deve ganhar seu filme solo interpretado pelo astro Dwayne “The Rock” Johnson. Então Doutor Silvana será o antagonista principal, com algumas adaptações em relação à HQ, Silvana contará com poderes mágicos, além do seu olho brilhante que consegue ver  e ler magia.


Enquanto o filme não estreia você pode ver o trailer aqui:

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Resenha | Homem de Aço (2018) | Brian Michael Bendis

        Após sua saída da Marvel no ano passado, após quase 18 anos na Casa das Ideias. Brian Michael Bendis finalmente estreia na Distinta Concorrência. A chegada do Bendis na DC foi uma surpresa no mercado de quadrinhos e mais curioso foi quem ele iria escrever, O Superman, eu como grande fã do Bendis fiquei animado com a ideia, um escritor com ótimas histórias no passado, poderia encontrar inspiração em um universo novo, depois de um esgotamento criativo na Marvel.

        Antes do Bendis assumir, o Superman vinha de uma sofrida fase nos novos 52 e estava em uma muito elogiada pela crítica e pelos fãs nas mãos do Peter J. Tomasi e Patrick Gleason, focando mais no seu relacionamento com a Lois e o Jon.

        Bendis estreou em uma história curta no DC Nation #0 com arte de José Luis García-López, edição com poucas páginas, mas que estabeleceu alguns pontos da miniserie que estava por vim. A Lois e o Jon estão desaparecidos.

        Em Man of Seel (em tradução livre, Homem de Aço), minissérie em 6 edições, ainda inédita no Brasil, Bendis resolve remexer o passado de Kal-El e a explosão de Krypton com um vilão chamado Rogol Zaar, além de adicionar uma trama sobre incêndios misteriosos e um prequel contando o que aconteceu com a Lois e o Jon.

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Rogol Zaar, o vilão de Homem de Aço, por Jim Lee, Scott Williams e Alex Sinclair. (DC Comics)




        O vilão Rogol Zaar revela ser o causador da destruição de Krypton e sua chegada na Terra tem o intuito de acabar com os sobreviventes, considerando os kryptonianos como uma doença que precisa ser erradicada. A ideia de alguém destruindo o planeta do Superman, apesar de não ser nova, é uma ideia no mínimo interessante, ter alguém para culpa traz bom motivo para começar a odiar o vilão.

        O problema é que o personagem não tem desenvolvimento nenhum, os motivos para o seu ódio não são apontados, Bendis aparentemente prefere desenvolve-lo no futuro, deixando o vilão genérico, mostrando uma escolha equivocada para o início da sua fase, mas que pode trazer algo de interessante mais para a frente.

        Algo que o Bendis não soube lidar na sua passagem pela Marvel eram as escalas de poderes de personagens muito poderosos, e nessa minissérie isso parece ter mudado, Bendis soube utilizar os poderes do Azulão, mostrando um Superman tendo que dosar seus golpes em uma batalha no meio de Metrópolis, mantendo o personagem poderoso, porém vulnerável.

        A adição da Supergirl na saga, traz um frescor e ao mesmo tempo uma emergência para o conflito principal, além de acrescentar uma reconexão entre ela e o Superman, não muito presente nos últimos anos. O Bendis caracteriza a Garota de Aço como inteligente, motivada, sensível e não menos poderosa que o protagonista. Acertando em cheio na personalidade dela.

        Outro ponto positivo é o desenvolvimento do Superman, Bendis escolhe colocar o nosso herói em uma era de busca, uma busca por entender essa nova ameaça que diz ser culpado pela destruição do seu planeta natal, uma busca por viver a ausência da sua família, uma busca por resolver um crime incomum, isso coloca um conflito muito interessante no personagem. Sabendo dosar na tristeza, sem deixa-lo sóbrio, mantendo o símbolo esperançoso e radiante que é característica fundamental de um bom Superman.

        Na trama envolvendo o desaparecimento de sua família.  Jor-El – Anteriormente Mr. Oz – convoca o Jon para uma road trip pelo universo querendo dar uma perspectiva diferente para o garoto. Jon consegue a aprovação dos seus pais, apesar de uma resistência inicial, para seguir como o seu avô, Lois resolve acompanha-lo nessa viagem, enquanto o Super fica sozinho na Terra.

       Apesar de usar um personagem mal trabalhado na fase do Dan Jurgens pela Action Comics, a ideia parece ser interessante, gera uma possibilidade de trazer um Jon mais maduro como super-herói, podendo enfim utiliza-lo com outros personagens, ampliando sua interação com o universo DC. Já a Lois, não imagino onde ela possa chegar, mas o Bendis aparenta ter algo guardado para ela, já que o principal motivo dela seguir nessa viagem é ter ideias para escrever um livro.

        Onde a saga se perde é na trama sobre os incêndios, apesar de ter diálogos bem escritos, com um humor bem dosado – lembrando vagamente a fase do Bendis pelo Ultimate Homem-Aranha – a conclusão entrega um gancho bem apelativo, mas que desperta uma curiosidade no leitor, se perguntando como diabos isso levará.

        No balanço geral, Bendis inicia sua fase de maneira discreta, introduzindo boas ideias que podem trazer bons frutos no futuro, apesar de cometer alguns deslizes, devido a um senso de megalomania. Resta saber se o Bendis saberá desenvolver seus ganchos deixados aqui e manter a qualidade de suas histórias que parecem ser bem promissoras. Como diria Calvin Candie – personagem de Leonardo DiCaprio em Django Livre – “Cavalheiros, vocês tinham minha curiosidade, mas agora vocês têm minha atenção!”




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