Crítica: Aniquilação (Annihilation, 2018)

Quando seu marido retorna repentinamente, a bióloga Lena parte em uma
missão com outras 4 cientistas para estudar o surgimento do misterioso e
perigoso “Brilho”, que delimita a Área X, onde as leis da natureza e da física
não se aplicam.

Aniquilação é escrito e dirigido pelo Alex Garland, que fez um trabalho
excepcional no filme Ex Machina (2015). Assim como em seu primeiro trabalho,
o diretor faz um ótimo trabalho na ambientação do longa, criando tensão e uma
sensação de que algo ruim vai acontecer a qualquer momento. Ele não se
preocupa em fazer um filme acessível ou de fácil entendimento. As respostas
não vem de mão beijada, desafiando o telespectador a pensar.

O principal tema de Aniquilação talvez seja a tendência humana de
autodestruição, seja ela intencional ou não. O filme também trata de depressão
e suicídio, mas sempre os diferenciando. E a história inteira se amarra nisso,
desde o começo, quando, por exemplo, Lena está dando uma aula de biologia
e cita células cancerígenas, que rima perfeitamente com o tema central do
filme.

Após uma série de fracassos nas missões dentro da “Área X”, uma pergunta
conveniente seria: por que diabos essas mulheres estão indo para uma missão
quase que suicida, visto que até mesmo os militares mais treinados não
voltaram? Eis que com um curto diálogo, o roteiro responde esse
questionamento de forma convincente. Porém, o roteiro é ineficiente ao
desenvolver às cientistas que acompanham Lena, fazendo com que se tenha
uma grande diferença de simpatia do telespectador para com as personagens.
Dito isso, é importante ressaltar que, ainda assim, Jennifer Jason Leigh (Dr.
Ventress), Gina Rodriguez (Anya Thorensen), Tessa Thompson (Josie Radek)
e Tuva Novotny (Cass Sheppard), mesmo com pouca ajuda do roteiro,
convencem em suas interpretações. Mas o destaque fica, claro, para Natalie
Portman, que oscila entre a bióloga inteligente e ex-militar e a mulher
devastada pelos acontecimentos que precederam a missão.

Com 3 linhas temporais (antes, durante e após a missão), a montagem de
Barney Pilling é impecável ao mostrar os acontecimentos anteriores, ajudando
no entendimento de certas situações e atitudes, e mostrar o interrogatório de
Lena após a missão, despertando ansiedade em como foi o desfecho da missão. Se
aproveitando das características peculiares do Brilho, o design de produção
cria um mundo multicolorido e cria criaturas que variam entre o encantador e o
assustador, ressaltando a grandiosidade daquele universo.

O final de Aniquilação navega no abstrato, mas acaba exagerando e ficando
visualmente carregado, soando um pouco pretensioso e auto-indulgente. Mesmo assim, é um final satisfatório para a trama: deixa interpretações em aberto e convida o telespectador à revisitar o longa ou, no mínimo, ir atrás de teorias e explicações sobre o que aconteceu.

 




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