Petals For Armor: quando o emo cresce

Hayley Williams lança seu primeiro álbum em carreira solo, mostrando amadurecimento no estilo indie, deixando para trás o emo, o punk e o rock.

 

Leia ouvindo Petals For Armor, de Hayley Williams

 

Há um bom tempo os fãs do Paramore vêm se perguntando sobre o futuro da banda, o que é coerente, já que ela vinha se desintegrando com o passar dos anos. A banda de punk rock já foi um quinteto, passou a ser trio e o seu último trabalho reformulou todos os seus estilos emo, se desfazendo de hits bang-head e aderindo músicas dançantes e alegres (pelo menos em sua sonoridade).

After Laughter foi lançado em 2017 e, ao fazermos uma reflexão sobre ele, podemos ver que seu ritmo alegre, letras ora tristes, ora reflexivas, foram reflexo da saúde mental da vocalista, Hayley Williams, que inclusive chorou em uma apresentação de “26”.

De lá para cá muita coisa aconteceu, a banda entrou em hiato, a vocalista fundou a sua loja de totalizante vegano para cabelos, a Good Dye Young, teve que lidar com a separação de seu parceiro de mais de uma década juntos e ainda sofria com crises de ansiedade e depressão.

Todos esses acontecimentos foram reais ela superou (ou ainda está), sinal disso é ter pego os fãs de surpresa com o lançamento do primeiro single e anúncio do primeiro álbum solo, o Petals For Armor.

O que se sabe sobre a carreira solo de Hayley é que isso não anula os projetos futuros para banda, que ela deixou bem claro em entrevistas. Este álbum se trata de muitas coisas: músicas que não couberam no cenário em que o Paramore estava inserido. Mas, principalmente, ela precisava externar o que carregava consigo nos últimos anos e mesmo com tantas terapias, só havia um lugar onde ela poderia se livra desse peso:  na música.

Bom, o álbum foi lançado em três EPs, cada um contendo 5 músicas, sendo que a última parte foi lançado como o álbum na íntegra nas plataformas digitais e que já está disponível pra pré-venda no site do projeto: //www.petalsforarmor.com/

O álbum é cheio de significado e simbologia. Podemos encará-lo, inclusive, como uma grande terapia. O que justifica a capa, em que a cantora carrega em suas mãos e rosto uma grande interrogação. Bom, se ora ele é reflexivo, ora ele é triste. E ainda há espaço para cantar junto e dançar, que podemos dizer que é algo do After Laughter que a vocalista do Paramore quis trazer para este projeto.

Sobre o estilo neste álbum, difícil defini-lo. Podemos dizer que ela trouxe várias referências externas, e até mesmo de sua banda. Nessa grande mistura podemos particularmente defini-lo como indie pop, daqueles que levaram Lana Del Rey, Billie Eilish e Lorde ao estrelato.

Excêntrico e brilhante. Entre muitas coisas que podemos dizer sobre a música particular de Hayley Williams é que a sua música evoluiu, cresceu (assim como ela). Se antes ela e seus cabelos coloridos carregavam em sua alma um estilo emo, punk e rock, agora ela é uma artista de múltiplos estilos. Neste momento ela é do indie, ela é do pop. E é exatamente isso que acontece quando o emo cresce.

Solta o Play, que vem acompanhando a trajetória de Hayley, tanto como a frente de uma banda de rock, como empresária e mais que tudo, ser humano, analisou o álbum e trouxe algumas observações e curiosidades sobre ele.

 

Petals for Armor I

Com estilos totalmente diferentes entre si, Simmer, Leave It Alone e Cinnamon possuem algo em comum: a sua particular sonoridade. Simmer traz batidas fortes e uma letra perturbadora, já em Leave It Alone as batidas são suaves, a letra é mais branda, um desabafo. Diferentemente, Cinnamon é sobre o seu lar e sua rotina, trazendo batidas mais ritmadas, com diferentes tons de instrumentos. Sobretudo, ela é dançante.

A misteriosa Creepin’ pode ter diferentes interpretações, uma delas é sobre as pessoas ao seu redor especulando sua vida. É uma música cantante, com batidas constantes e elevações de tons sonoros. Já em Sudden Desire ouvimos batidas que acompanham a voz da cantora, sendo mais presentes nos refrões, onde os tons são mais altos, fortes e expressivos.

 

Petals for Armor II

Dead Horse e Over Yet é claramente são as músicas mais dançantes e empolgadas do álbum, porém com significados opostos. Enquanto Dead Horse fala de um relacionamento abusivo, Over Yet trata-se sobre ter resistência, persistir e ser forte para lutar contra a depressão.

Rose/Lotus/Violet/Iris marca a delicadeza e o cuidado do álbum. Ela é cantada de forma delicada com suavidade na voz e batidas leves. Ouvi-la é muito agradável. Trata-se de uma canção feminista, sobre crescer, florescer.

Iguais entre si, porém com diferentes arranjos. My Friend e Why We Ever são constantes, é música para ora se apreciar, ora para cantar junto. Elas são suaves, com refrões mais graves. Suas letras são subjetivas a interpretações.

 

Petals for Armor III

A terceira e última parte do álbum é marcada pelo pop e por baladas em diferentes arranjos e estilos. A primeira dela é a animada e dançante Pure Love, que fala sobre entender os sentimentos que o amor proporciona. Ela começa em tons baixos, elevando o ritmo das batidas no refrão, juntamente com o backing vocal, e entonações na letra.

Taken segue esta mesma linha, mas possui um tom de calmaria, reflexão. Ela é constante, as batidas são simples, os tons cantados acompanham o ritmo. Não é tão dançante, mas anima, de certa forma.

Com um pé no pop e outro no techno, a balada Sugar On The Rim é basicamente uma canção para se dançar. É a mais diferente de todo o álbum, mas agrada, principalmente se você curte um bom remix, vozes destorcidas e letra rimada. Igualmente, Watch Me While I Bloom, dá a sensação de remixagem, dançante e apresenta uma letra repetitiva e animada.

Menos voltado para algo remixado, porém ainda com distorções sonoras, Crystal Clear é puro indie pop. Ela é mais cantada e sentimental que as demais do gênero.

 

A trilogia de Petals For Armor

A trilogia de vídeos, que se inicia com Simmer, single que abre o álbum, mostra Hayley fugindo em uma floresta e tendo que lidar com ela mesma. Apesar de muitos fãs terem relacionado a canção ao ex-marido da cantora, Chad Gilbert, vocalista do New Found Glory, o significado é outro. Tem a ver com controlar os seus sentimentos, em particular a raiva, como a própria cantora já mencionou em entrevista.

A segunda música a ganhar um vídeo e dar sequência na história foi Leave It Alone, onde Hayley luta para sobreviver as reviravoltas que a vida dá. Trata-se de morte, luto e tomar as rédeas depois disso.

A parte final do projeto, o terceiro e último vídeo da trilogia é Cinnamon, onde Hayley quer mostrar onde é o seu lar, os seus hábitos e costumes enquanto encara e lida consigo mesma.

Entre os vídeos das músicas de divulgação, houve interlúdios, que serviram para mostrar uma continuação, fazendo conexão entre elas e mostrando uma única história. Confira a abaixo os vídeos em sua ordem cronológica:

 

Simmer

//www.youtube.com/watch?v=8lSj5k2K7w0

 

Intrelude

 

Leave It Alone

 

Intrelude

 

Cinnamon

 

 

 

Learn More